Sonrisas

O envelhecimento dentário: como os dentes mudam com o passar dos anos

O passar dos anos também afeta o nosso sorriso, embora nem sempre de forma negativa. Tal como a pele muda, o cabelo perde cor ou a visão precisa de apoio, os dentes e os tecidos que os rodeiam também evoluem com o passar do tempo.

Compreender estas mudanças ajuda a distinguir entre o que pode fazer parte do envelhecimento e o que, na realidade, requer cuidados dentários. Numa boca saudável, envelhecer não deve significar resignar-se ao desconforto, à perda de função ou à deterioração progressiva.

O que muda com o passar do tempo

Uma das alterações mais comuns é o desgaste dentário. Ao longo dos anos, a mastigação, a fricção entre os dentes e hábitos como o bruxismo podem ir alterando gradualmente a anatomia dentária. Os dentes podem parecer mais planos, com bordas menos definidas ou com um aspeto menos brilhante.

Além disso, quando se perde espessura do esmalte dentário, a dentina —que tem um tom mais escuro— torna-se mais visível, e é por isso que muitos sorrisos adquirem, com a idade, uma cor mais amarelada ou menos luminosa.

Mas o envelhecimento dentário não se reflete apenas na aparência externa. No interior do dente também ocorrem alterações: a polpa dentária, que contém vasos sanguíneos e terminações nervosas, pode reduzir o seu volume com o tempo. Isto influencia a resposta do dente face a estímulos, traumatismos ou tratamentos, e explica por que razão um dente envelhecido não se comporta da mesma forma que um dente jovem.

Gengivas, raízes e boca seca

Gengivas, raízes e boca seca

Com a idade, também pode surgir a recessão gengival, ou seja, um deslocamento da margem da gengiva que deixa exposta parte da raiz dentária. Isto não só dá a sensação de dentes mais compridos, como também favorece a sensibilidade dentinária e aumenta o risco de cárie radicular, especialmente se houver também xerostomia ou boca seca.

A diminuição do fluxo salivar é relativamente frequente em adultos, muitas vezes relacionada com determinados medicamentos ou com doenças sistémicas. Quando a saliva diminui, a boca perde parte da sua capacidade de lubrificar, proteger e neutralizar agressões externas, o que pode dificultar funções básicas como falar, mastigar ou engolir.

Envelhecer, sim; normalizar tudo, não

O importante é não confundir envelhecimento com negligência. É normal que os dentes mudem com o passar dos anos; que doam, se movam ou deixem de funcionar bem não deveria ser.

As consultas periódicas, o controlo da doença periodontal, a vigilância das raízes expostas e cuidados adaptados a cada fase permitem manter durante mais tempo uma boca saudável, funcional e confortável.

Porque envelhecer também afeta o sorriso, sim, mas hoje sabemos que a idade avançada e uma boa saúde oral são perfeitamente compatíveis.