Sonrisas

A importância dos dentes na fonética

A importância dos dentes na fonética

Talvez tenha lido ou ouvido que as mulheres pronunciam mais palavras por dia do que os homens, mas isso não é bem assim. Independentemente do género a que se pertence, é possível que ao longo do ano pronuncie uma média diária de entre 15.000 e 20.000 palavras. Esta é a conclusão de diversos estudos levados a cabo por distintas entidades oficiais: Universidade de Texas, a investigadora linguística Deborah James ou a psicóloga social Janice Drakich.

Sabendo que é possível que este ano vá pronunciar esse número de palavras, já se perguntou qual é o impacto dos seus dentes sobre a sua fonética?

Os dentes são um colaborador passivo na fala: representam para muitas sílabas e letras o fator necessário para criar o som através da boca.

Para compreender como afetam os dentes no som que criamos ao falar, em primeiro lugar tem que se explicar a composição do aparelho fonador:

  • Orgãos emissores: laringe, ressoadores e cordas vocais.
  • Orgãos ressoadores: palato, língua, dentes, lábios e glote.

Como é que a forma e a posição dos dentes podem determinar a nossa fala?

A modulação do ar que passa através da nossa boca dependerá da anatomia da mesma.

Num exemplo simples, pode comprovar que isto é assim reparando nas mudanças de pronuncia que experimentam as crianças quando ainda não têm ou lhes falta algum dente, e os idosos com perda de dentes e degeneração óssea.

As alterações na fala notam-se com maior intensidade no caso de carência de dentes, porque a boca não é capaz de regular o ar que passa por ela com total precisão. Mas não é só a ausência de dentes que pode provocar distorção fonética.

Como é que a forma e a posição dos dentes podem determinar a nossa fala?

Um outro problema da fala derivado da posição das arcadas dentárias são as distorções e omissões de letras que os diferentes tipos de má oclusão (problemas na mordida) podem provocar.

Existe uma associação direta e significativa entre a má oclusão e os problemas de fala nas crianças. Desta forma, quando existe uma patologia na mordida dos mais pequenos, têm tendência para distorcer as letras /RR/, /R/, /S/, /Z/ e omitir as letras /D/, /L/ e /R/.

Neste caso, o odontopediatra deverá estar em contacto com o terapeuta da fala que aborde o caso da criança, para conseguir uma solução do problema de forma conjunta e eficaz.

Existem diversos tipos de problemas bucodentários que podem afetar a fala

Existem problemas bucodentários que afetam diretamente as vibrações que o conjunto oral cria quando se produz a fala: apinhamento dentário, falta de dentes, má oclusão, diastemas, agenesia, etc.

Existem diversos tipos de problemas bucodentários que podem afetar a fala

No caso da ortodontia, embora seja conhecida pela sua implicação direta nos transtornos da fala, uma aparatologia temporária colocada sobre os dentes não é considerada uma alteração na fala típica, porque esta é eventual. Os lábios não conseguem recriar os movimentos aprendidos, e isso provoca uma distorção em determinadas sílabas que finalizará quando o tratamento acabar.

Em resumo, conservar um bom estado de saúde bucodentária será a melhor prevenção para todo o tipo de patologias e transtornos, incluindo os da fala e da fonética. Quando a partir da medicina dentária transmitimos a importância de fazer a revisão com o odontopediatra desde a erupção do primeiro dente, não só estamos a zelar pela futura saúde da boca das crianças, mas também são abordados diversos desenvolvimentos de vital importância na vida de qualquer pessoa, incluindo uma das funções sociais primárias: a fala.