Sonrisas

Curiosidades sobre a mulher e a odontologia, e a sua relação ao longo dos séculos

Sabia que, pelo menos 56,8% dos dentistas inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas em Espanha, são mulheres? É o que indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística. Até 2011 era o género masculino quem sustentava a “liderança” neste gráfico, mas em 2012 a tendência teve uma mudança radical.

O número de mulheres dentistas apresenta um crescimento exponencial. Em apenas uma década, passou-se de 11122 dentistas inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas, a 22052 em 2018. No início da década de 80, o número nem sequer chegava aos quatro dígitos.

Curiosidades sobre la mujer y la odontología y su relación a lo largo de los siglos

Hoje, queremos fazer uma revisão da trajetória profissional das principais mulheres dentistas ao longo dos séculos, bem como dar a conhecer os nomes das primeiras mulheres que exerceram como dentistas (com título ou não) no nosso país.

Como tem sido a vida das mulheres dentistas ao longo da história?

Mesmo sendo a odontologia uma profissão com mais de três mil anos de história, o primeiro título universitário de Odontologista em Espanha não foi emitido até 1901. Quinze anos depois, apenas existiam 3 mulheres credenciadas como odontologistas em todo o país, mas a relação das mulheres com a odontologia iniciou-se há muito tempo atrás.

Antiga Grécia

Na Antiga Grécia, o evento de curar era levado a cabo principalmente por mulheres que a população acreditava serem “abençoadas” pela Deusa Atena. Transferiam os seus conhecimentos medicinais às suas filhas, e estas às suas, criando gerações de “sacerdotisas” e curandeiras.

Idade Média

Posteriormente, na Idade Média, começou-se a considerar as curandeiras como bruxas, e muitas eram condenadas a morrer na fogueira. Apesar do obscurantismo desta época, na mesma encontramos uma das primeiras mulheres vinculadas à odontologia; a multifacetada Hildegard von Bingen, que escreveu importantes textos sobre remédios naturais que ajudavam a solucionar problemas dentários.

Século XV

A relação das mulheres com a odontologia continuou a evoluir num segundo plano. Na França, algumas mulheres trabalhavam como ajudantes dos “barbeiros” (que exerciam como uma espécie de cirurgiões orais) e herdavam o seu ofício quando eles morriam, até que Carlos VIII promulgou um decreto proibindo-as expressamente de desempenhar o ofício.

Século XVIII

Em 1755 uma nova lei na França vetou o acesso das mulheres aos estudos oficiais de odontologia. Apesar das proibições, foram muitas as mulheres, quer na França quer no resto da Europa, que durante este tempo continuaram a abrir o seu próprio caminho como “odontologistas” e curandeiras à margem da lei:

Madame Rezé, Mademoiselle Hervieux, Marie Madeleine Calais, Mademoiselle Gerauldy, Miss Raymon, María Briwalski, Manuela Aniorte y Paredes, Madame Ana de París, Madame Héléne Purkis,s Fran Huber, Lilian Murray-Lindsay (a primeira mulher titulada na Grã Bretanha) ou Ida Frenderheim (a primeira a fazê-lo na Alemanha), entre tantas outras, são os nomes de algumas das muitas mulheres que nos inspiram, porque lutaram contra as complicações da sua época para poder exercer a nossa bonita profissão e prepararam o caminho para as futuras dentistas.

As primeiras mulheres dentistas que se conhecem em Espanha

María Rajoo

Considerada a primeira mulher dentista em Espanha (Sem título). Era filha do médico Dr. Juan Rajoo, e esteve casada com dois dentistas. Exerceu a profissão de 1800 a 1830. Anunciava os seus serviços no Diário de Avisos de Madrid: “... continua a desempenhar as suas funções (...) construindo peças artificiais e limpando a dentadura sem drogas e específicos que destruem o esmalte.”

Manuela Aniorte y Paredes de Sales

Também viúva de um dentista, Francisco de Sales, herdou o seu negócio quando ele morreu e exerceu em solitário durante o resto da sua vida, devido a uma autorização concedida pela Universidade de Valencia. Pioneira também por ter a coragem de publicar e assinar com o seu nome a obra científica “A arte do dentista”, uma tradução do livro francês “L’art du dentiste”

Doña Polonia Sanz Ferrer

Foi a primeira mulher em Espanha a conseguir o título académico de Dentista em 1849, se bem que tinha certas restrições e a obrigação de chamar um cirurgião quando fosse necessário realizar uma operação cirúrgica. Em várias ocasiões foram publicados boletins com o intuito de a desprestigiar, até ao ponto de que, numa ocasião, teve que submeter um processo por injúrias ao diário “La España” (litígio que, apesar de tudo, conseguiu ganhar).

Clara V. Rosas

Foi a primeira odontologista titulada em Espanha. Obteve o seu título em 1908, 25 anos depois de que o Rei Afonso XII autorizasse as mulheres para exercerem a profissão de cirurgião-dentista, “nas mesmas condições do que os homens”, quer dizer, sem necessidade de chamar um cirurgião para levar a cabo determinados tratamentos.